Da Análise da Conformidade Contábil: Como Funciona na Prática no Setor Público

A conformidade contábil envolve múltiplas dimensões — desde objetivos e sistemas até riscos e auditoria — exigindo uma atuação técnica integrada por parte do contador público.
1. Introdução
A conformidade contábil não é um procedimento automático — é um processo técnico que exige julgamento profissional.
Isso porque a análise da conformidade contábil é uma das etapas mais críticas para garantir a qualidade, consistência e fidedignidade das informações contábeis no setor público — tanto no âmbito da União quanto nos estados e municípios.
Embora o SIAFI seja o sistema estruturante do Governo Federal, os conceitos, procedimentos e responsabilidades relacionados à conformidade contábil se aplicam igualmente aos sistemas utilizados pelos entes subnacionais, como SIAFEM, SIAFIC, FIPLAN, entre outros.
Neste conteúdo, você vai entender, na prática, como funciona a análise da conformidade contábil, quais ferramentas são utilizadas e qual é o papel do contador nesse processo.
👉 Se você deseja compreender os fundamentos do tema, recomendamos a leitura do artigo: “O que é Conformidade Contábil? Entenda como funciona no setor público”.
2. O papel da STN e a evolução da análise contábil
A Coordenação-Geral de Contabilidade e Custos da Secretaria do Tesouro Nacional (CCONT/STN), como órgão central do Sistema de Contabilidade Federal, atua continuamente no aprimoramento da qualidade das informações contábeis.
Uma das estratégias adotadas foi o desenvolvimento de auditores automatizados, capazes de identificar inconsistências nos demonstrativos contábeis ao longo da execução.
Esses mecanismos evoluíram significativamente e hoje representam importante apoio à análise contábil — mas não substituem o julgamento profissional.
3. Auditores e ferramentas: CONAUD e CONDESAUD
No SIAFI, os auditores são estruturados por meio de equações e podem ser analisados por funcionalidades específicas:
- CONAUD → permite visualizar a lógica das equações dos auditores
- CONDESAUD → evidencia inconsistências nos demonstrativos contábeis
👉 Ponto-chave:
A CONAUD mostra a estrutura do auditor, mas é a CONDESAUD que revela, na prática, as inconsistências da Unidade Gestora.
Essas inconsistências podem envolver, por exemplo:
- valores a classificar (VPA, GRU)
- saldos indevidos ou invertidos
- bens em trânsito
- inconsistências em convênios
- falhas em controles patrimoniais
Limitação dos auditores automatizados
Apesar de sua relevância, os auditores não substituem a análise técnica do contador.
A Macrofunção SIAFI 02.03.15 é clara ao estabelecer que: As indicações da CONDESAUD não possuem caráter vinculante.
O novo papel do contador no setor público
No cenário atual, a análise da conformidade contábil exige:
- domínio técnico dos sistemas estruturantes (SIAFI e equivalentes)
- conhecimento das operações da unidade
- capacidade de análise crítica
- aplicação de julgamento profissional com base em materialidade e relevância
Ou seja, não se trata apenas de verificar apontamentos automáticos, mas de certificar a realidade contábil da gestão pública.
4. Etapas da análise da conformidade contábil
A seguir, um fluxo prático aplicável tanto no SIAFI quanto em sistemas equivalentes:

1. Análise da Conformidade de Registro de Gestão
Verificar:
- existência de restrições
- impacto nos demonstrativos contábeis
Se necessário, registrar a ocorrência correspondente (como a 315 no SIAFI).
A ausência de manifestação não implica automaticamente inconsistência relevante — trata-se de julgamento profissional.
👉 Se você deseja saber mais sobre a Conformidade de Registro de Gestão, clique aqui!
2. Análise do balancete contábil
Avaliar:
- saldos invertidos indevidos
- saldos alongados
- saldos irrisórios
- saldos indevidos
- ausência de registros obrigatórios (depreciação, amortização etc.)
3. Trilhas contábeis e análise pormenorizada
Etapa mais relevante da análise.
Permite:
- identificar inconsistências relevantes
- compreender operações específicas
- subsidiar auditorias e controles internos
Nesta etapa que se trabalha as afirmações contábeis, ou seja:

Base para construção de matriz de risco e avaliação da fidedignidade.
4. Avaliação de inconsistências sistêmicas
Utilização de ferramentas como a CONDESAUD para:
- identificar inconsistências adicionais
- avaliar materialidade
- complementar a análise técnica
5. Análise final dos demonstrativos contábeis para fins de Notas Explicativas
Nesta etapa, o contador:
- consolida as análises realizadas
- avalia a fidedignidade das informações
- aplica análises horizontais e verticais
- subsidia a elaboração das notas explicativas
Aqui ocorre a formação da opinião técnica sobre os demonstrativos contábeis.
6. Conformidade Contábil e o TCU
A relevância do tema é reforçada pelo Tribunal de Contas da União.
Por exemplo, no Acórdão nº 10.253/2019- 2ª Câmara – que destaca a morosidade na análise de prestação de contas de entidades convenentes.
Isso evidencia a necessidade de análise contínua, técnica e qualificada.
7. Capacitação em Conformidade Contábil
Diante da complexidade do tema, a capacitação técnica é indispensável.
A MMP Cursos oferece formações específicas para diferentes realidades:
🔹 Para órgãos da União (SIAFI):
Conformidade Contábil e Análise de Balancete – SIAFI e o Tesouro Gerencial como Instrumentos de Trilhas para Auditoria e Contabilidade
🔹 Para estados e municípios (sistemas próprios):
Conformidade Contábil para Estados e Municípios – na Prática
👉 Cursos com abordagem prática, foco em mais de 30 trilhas de auditoria e aplicação real no dia a dia.
Profissionais de mais de 200 órgãos públicos já foram capacitados pela MMP Cursos com foco prático. Isso é muito bem consolidado nos cursos de conformidade contábil.
8. Depoimentos:
“Ótimos professores com ampla experiência e aplicação prática do conteúdo.”
Ana Paula Siqueira – SEFAZ/MT (2025)
“Curso excelente, agregando conhecimento e melhorando nossa atuação.”
Fabianna Domingues – IFAL (2023)
“Extremamente útil para quem atua com contabilidade pública.”
Luís Alberto – CNMP (2021)
“Professor com total domínio do conteúdo.”
Andreya Ferreira – CGU (2019)
9. Conclusão
A análise da conformidade contábil é um processo técnico, estruturado e essencial para garantir a qualidade das informações no setor público.
Mais do que utilizar ferramentas, o profissional precisa:
- interpretar dados
- compreender operações
- exercer julgamento técnico
Dominar esse processo — seja no SIAFI ou em sistemas equivalentes — é hoje uma exigência para quem atua na contabilidade pública e auditoria governamental.